Prefeitos ou calangos?
Em tempo de vacas magras,
muitas indo mesmo pro brejo no âmbito da economia mundial, só
faltava esta de as prefeituras entrarem em greve, em várias partes
do país, e agora também em Minas, nem que seja por um dia, quinze de
abril, conforme se propala aos quatro ventos. Mais que crise
financeira, temos crise de responsabilidade entre gestores públicos,
aos quais se confiaram, por meio do voto, os destinos dos municípios
pelo período de quatro anos.
Não podem nem reclamar,
porque ainda que tivessem sido apanhados de surpresa no meio do
mandato, a gabolice de cada um em campanhas a tudo vence; e não
seria uma "marolinha" dessas que faria arrepiar os timoneiros e
levar de roldão os municípios. Tiveram tempo suficiente para, pelo
menos, imaginar - se falta a muitos a capacidade de projetar o que
viria - pois o que acontecia lá fora, de alguma forma, já nos
atingia, enquanto cada qual a aparentar poder especial se exibia e
fazia promessas de a tudo resolver. Portanto, se a arrecadação
despencou por força da retração da economia, e, a torneira dos
repasses federais minguou, pelo mesmo motivo, é hora então de buscar
formas de superar os obstáculos, sem quebra de ordem administrativa
e de garantia do essencial e prioritário nos serviços públicos.
Cruzar os braços, ainda que por um dia ou simbolicamente, é
confessar incompetência, coisa que nenhum dos senhores admitiria,
mas esta é a conclusão a que chegam os munícipes estarrecidos com
esta impropriedade político-administrativa. Os senhores foram
eleitos para administrar, em quaisquer circunstâncias, quesito
respondido afirmativamente quando assumiram suas candidaturas e pelo
qual mereceram a confiança do povo, confirmada nas urnas. O que se
espera dos senhores prefeitos é trabalho redobrado, proporcional ao
sacrifício exigido dos trabalhadores, conservados em seus empregos,
para cobrir a falta dos dispensados em decorrência da mesma crise;
que saibam empregar a inteligência e readequar a estrutura
administrativa à nova situação, pois é isso que o povo espera em
momentos cruciais como este. Se fosse para empacar diante de
dificuldades, qualquer cidadão poderia ser prefeito porque, de
cruzar os braços, qualquer um é capaz!
Dirão que a paralisação é
gesto de protesto. Mas, direito de protesto não cabe ao gestor
público. Isso é direito do povo. Não lhe roubem também esta
prerrogativa! Prefeitos são mandatários do povo e não empregados do
governo federal. Não são trabalhadores comuns, sindicalizados, aos
quais cabe o direito de greve, como último recurso diante de
situações injustas, embora grupos prostituam esse direito com outros
interesses, mormente de natureza política. Que se lembrem da moral,
que não mais terão para coibir paralisações questionáveis em suas
próprias searas!
Em outras unidades da
federação tais paralisações já aconteceram, mas que não sirvam de
exemplo a Minas Gerais, estado que sempre se destacou por sua
natureza indômita, arrojado diante dos desafios e conciliador nos
momentos incertos. O mineiro não abriu essa porteira e por ela não
deve passar; abre seu próprio caminho, e por este segue em marcha
própria, atento a eventuais percalços e pronto para superá-los com
ações positivas, ainda que amargas. Paralisia não é próprio de sua
natureza, pois os que nascem entre montanhas há que escalá-las para
então se alargarem os horizontes. Ele sonda ao redor e ao longe,
previne-se, mas não se detém.
Aguardemos, pois, o dia
quinze, para saber se temos prefeitos ou se
"tamo nas mãos de calangos"!