Princípio da decadência
Concorrência é o
permanente estado de espírito do homem (como espécie) em relação ao
mundo que o cerca, especialmente em relação ao seu semelhante. Em
qualquer situação, individual ou coletiva, e em todas as atividades,
há uma corrida ou disputa por metas, pré-estabelecidas ou não, mas
sempre indispensáveis à evolução, ao crescimento e à consecução de
ideais. Não fosse isso, a humanidade ainda estaria nas cavernas,
muito embora essa concorrência tenha se descambado para o lado
negativo, pois, como qualquer ação, é dual ou bipolar em sua
manifestação, dependendo essa qualidade da intenção ou disposição
dos agentes. Quando não visível a intenção pura e simples de
destruição do oponente ou adversário, muitas vezes prevalece a lei
do menor esforço que, engendrada pela tríade, comodismo, cobiça e
orgulho, leva o indivíduo ou grupo a criar obstáculos ao
desenvolvimento do oponente como opção à busca do
auto-aprimoramento.
Danificar a casa do
vizinho, não torna sua própria casa mais bonita! Mas, é assim que
muitos procedem, sem levar em conta que perdem em todos os sentidos,
pois pedras lançadas contra outrem, além do tempo e esforço
agregados constituem quebra no potencial de construção para si
próprio. Infelizmente, o lado negativo da concorrência, se não em
maior número, ganha destaque na formação de estragos, desde o menor
prejuízo material até a morte, passando pela deterioração nas
relações humanas. Como se não bastasse o homicídio como resultante
da concorrência mal orientada em âmbito individual, na guerra
consuma-se a maior tragédia humana como conseqüência da gana de
superar o oponente mediante sua aniquilação.
E não é sem razão que a
religião situa a primeira concorrência e a primeira guerra, no céu,
antes mesmo da criação de Adão, ensejadas por Lúcifer nas legiões de
anjos celestes, ao se rebelar contra Deus. Segundo os escritos
sagrados, Lúcifer era o mais luminoso e, por isso, dotado de mais
poderes entre os anjos, mas, dominado pelo orgulho, entendeu que se
não se superasse a Deus, deveria igualá-LO. Estava armada a primeira
contenda cujo desfecho, segundo as mesmas fontes, foi tremenda
batalha entre as duas facções angelicais, encerrada com a derrota de
Lúcifer, que perdeu - e também seus comandados - a condição de ser
iluminado. De ser criado mais iluminado, Lúcifer se tornou o
príncipe das trevas: satanás!
Conduzida com ética, a
concorrência, ou qualquer disputa, leva indivíduo ou grupo à
obtenção do melhor na realização dos propósitos humanos, porém, sem
ela constitui-se no maior fator de desagregação. Mas, a busca de
sucesso pelo meio mais fácil e deslealdade, com preponderância de
fator destrutivo em interações com o semelhante, continuam. E isso é
como lançar pedras acima da própria cabeça, esquecendo-se que elas
retornam ao ponto de origem! Há que reviver o verdadeiro conceito de
concorrência, eliminando-se de sua prática qualquer intenção de
prejuízo ao oponente, seja por ação predatória direta ou indireta.
Tentar superar seu
oponente, roubando-lhe forças, não é concorrência, e sim, ato de
guerra!