PONTO DE VISTA DO BATISTA

Puxa-saquismo oficial

Recentemente, surgiu na imprensa a informação de que o atual presidente da República estaria para ganhar, de graça, o título de senador vitalício tão logo deixasse o cargo. O autor seria um deputado cujo nome não me lembro, embora esse detalhe seja irrelevante uma vez que aqui não seria citado, pois este espaço se abstém de promover nomes, sobretudo de políticos. Como se sabe, o que os alquimistas pretendiam, com muito trabalho, realizar em seus laboratórios, políticos realizam com a maior facilidade, transformando chumbo grosso que lhes cai em cima em puro ouro. Qualquer publicidade lhes dá lucro!

Voltando ao assunto original, alguém pago com o dinheiro do povo para legislar em nome do povo e para o povo teve a infeliz idéia de sugerir a criação do cargo, a exemplo (de triste memória) de um país vizinho que sofreu o vexame de ter o homenageado preso em terras estranhas, quase julgado e condenado, se não fosse seu precário estado de saúde e a turma internacional do "deixa disso". Alguém em terras tupiniquins ouviu, gostou e tentou macaquear o péssimo exemplo que, na República, seria mais ou menos o que são os títulos nobres na monarquia: um penduricalho do Estado, ao qual estão agregados privilégios com os quais se mantêm figurões. No princípio poderia até ser um título seco, mas, com o tempo acabariam temperando-o com benesses, pois para a turma do topo da pirâmide há sempre um meio de conceder-lhe algo mais. Não é como o rebotalho da base que, apesar de pouco ter, perde direitos para que outros se locupletem. Que o digam os contribuintes da tal de Previdência Social que, ao longo do tempo, vêm perdendo direitos até chegar ao achatamento dos chamados "benefícios"; achatamento que só terminará quando todos estiverem nivelados pelo mínimo dos mínimos, isto se antes não os desvincularem do piso salarial. Tomaram o "abono de permanência" (o popular "pé na cova"), aumentaram a taxa de contribuição, reduziram o teto pela metade, tomaram o pecúlio dos aposentados que continuam no mercado de trabalho (obrigando-os a contribuir a fundo perdido), alongaram o tempo de contribuição vinculando-o a idade mínima para se aposentar. Além desses golpes generalizados, cada contribuinte está sujeito a outros mais específicos ao requerer qualquer "benefício". Toda a perda mencionada decorre de má administração, corrupção e sonegação. E não há quem corrija!

Mas, para conceder privilégios aos que já têm poder, há o "puxa – saquismo" que funciona a pleno vapor. Ainda agora, na semana em curso, outro deputado ocupou a tribuna para uma sessão de lambeção de botas de um senador cassado. Segundo jornais, o capacho travestido de deputado comparou seu homenageado a ninguém menos que Jesus, o Cristo. A que ponto chega um néscio revestido de poder! O puxa-saco é um sanguessuga intelectual, pronto para confeitar quem se posta em degraus acima, visando algo em seu proveito. Não importa se seu homenageado tem ou não qualidades. Ele concebe uma, pois, para isso, sua imaginação ocupa o mesmo espaço da ambição. Mas, é interessante observar que o puxa-saco existe porque, primeiro, existe a vaidade a transbordar do ego de certas pessoas. Estas constituem o pólo oposto ou o complemento das primeiras e, numa certa medida, também têm o pendor da bajulação, embora eclipsado pela auréola consentida em resposta ao puxa-saquismo. O puxa-saquismo faz estragos em todos os níveis da sociedade e em todos os setores, mas quando envolve agentes políticos, em qualquer situação, há que se cortar o mal pela raiz, pois quem paga o alto preço é sempre o povo.

Se puxa-saquismo fosse crime e, neste país, houvesse pena de morte (embora eu seja radicalmente contra), puxa-saco deveria ser executado a pedradas!

nbatista@uai.com.

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