PONTO DE VISTA DO BATISTA

Realidade cômica, comunicação insólita

Não sei se há dados que corroborem, mas fico a imaginar o volume de informação a circular, de todas as formas, no mundo, e chego à conclusão que tudo que se informa num dia, se não se igualar, ou superar, muito longe não deve ficar da soma de todo o informado desde que o Homem aprendeu a falar. A comunicação, como fator básico do desenvolvimento da espécie e gerenciadora da interação entre indivíduos, rompeu todos os limites conhecidos de tempo, espaço, e os impôs a usurpadores, sonegadores e manipuladores de informação; não querendo isso dizer que a verdade se tornou matéria prima única e produto final da comunicação. Muita mentira (voluntária e involuntária) campeia nos meios de comunicação, e, pode-se dizer que ela aumentou com a oportunidade dada pela internet a maníacos e outros que se colocam à parte do respeitável, desejável e necessário no relacionamento humano, seja no nível individual ou coletivo. Felizmente, como já diziam nossos avós, a mentira tem pernas curtas. E cada vez mais se encurtam! Paradoxalmente e independente do quanto tenha de verdade ou mentira, a informação decresce em qualidade à medida que diminui tempo e espaço entre o fato focalizado e o público que se quer atingir. Gera-se, por vezes, o insólito, o cômico ou ridículo.

Em dia da semana passada, de bordo de helicóptero, repórter de televisão, mostrava cena incomum de dois bois a correr por uma das vias de alta velocidade da capital paulista, disputando com veículos velocidade e espaço, na ânsia de escapar à bizarra situação. Diferente de toda baboseira e inutilidades proporcionadas pela telinha, o fato prendeu a atenção, não só pelo inusitado, mas, sobretudo, pela capacidade daqueles animais que corriam sem derrapar no asfalto, piso impróprio para os dotados de casco, e sem esbarrar nos veículos, em grande extensão da movimentada avenida. No diálogo entre jornalistas de terra e os aerotransportados, diante daquela estranheza, a pergunta dos primeiros era como, por que e de onde tinham vindos os bois, ou vacas. A papaguear sem controle, como "dono" do privilégio de ver de cima o que acontecia, o repórter soltou a informação de que aqueles animais teriam fugido de açougue. A coisa caminhava para o puro surrealismo, pois se era estranho boi disputar corrida com motoristas em principais artérias da intricada malha viária paulistana, quase absurda era informação de que os dois espécimes seriam fugitivos de açougue. Pelo que se sabe, boi dentro do açougue só retalhado! E do lado de lá do balcão do açougue, animal vivo, só o açougueiro!

Por outras fontes, soube-se posteriormente que aqueles dois eram parte de nove bovinos que teriam fugido de um caminhão e se espalhado pela cidade, levando susto, pânico e prejuízo por onde passaram. Um deles teve reação estranha em sua passagem por rua comercial: com tantas lojas abertas, invadiu justamente um açougue, quebrou o que encontrou pela frente, fez correr funcionários e quase pendurou um deles pelos chifres. Parece ter entendido que aquele local é o destino da maioria de sua espécie. Foi este o fato gerador da patacoada do repórter no ar, plenamente aceita, em terra, pelo experiente jornalista apresentador do programa. Em relação ao açougue não houve fuga e sim invasão! E, sabendo-se que paulista só "pega" praia e cinema, um nordestino teve oportunidade de reviver seu tempo de peão boiadeiro.

Como do atual prefeito de São Paulo, durante campanha à presidência da República, foi dito nunca ter visto boi ou vaca de perto, perdeu-se boa oportunidade de o alcaide estabelecer contato mais íntimo com o bicho. Em lugar do açougue, o boizinho deveria ter entrado na prefeitura e se "apresentado" no gabinete do prefeito!

nbatista@uai.com.br

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