Reinventemos a democracia
Em várias frentes há
disputa pelo poder, que pode ser o marginal, duro e cruel, agindo
quase como estado paralelo; o corrupto, tentador e sutil, acomodado
entre inocentes úteis e acobertado por brechas da lei; o político,
cheios de vícios de origem, enganador e venal. Deste último, nessas
condições, nascem os dois primeiros, causas do desgaste moral de
toda a nação e do perpétuo estado de angustia das populações ante o
Estado exaurido em suas forças, debalde todos os esforços da
sociedade laboriosa.
Em meio às incertezas
quanto aos nomes a compor a mais nova mancha no mosaico da corrupção
dentro do Parlamento, descortinam-se diante do eleitorado as
primeiras pantomimas da campanha, mediante a qual pretendem uns
conservar-se onde estão e outros alcançá-los na posição. Protegidos
por leis espertas, mesmo tendo caído o sigilo de justiça,
confundem-se "sanguessugas" e outros nem tanto, na lista de
denunciados quanto à maracutaia das ambulâncias superfaturadas, o
que aumenta para o eleitor a possibilidade de reconduzir corrupto
como seu representante no Parlamento. De escândalos anteriores,
muitos disputam o pleito.
É o risco oferecido pelo
sistema político em que uns poucos se revezam no poder, mantido ao
longe o povo iludido com a falsa idéia de que isso é democracia, só
porque partidos políticos existem em profusão e se mantêm abertas
casas legislativas. Dos eleitores, poucos têm consciência de que, na
verdade, essa democracia se resume a conchavos de partidos, ou
melhor de "donos" de partidos, para garantir pelo maior tempo
possível a posição desses privilegiados no topo da pirâmide. Quanto
ao resto cabe apenas o "direito" de votar e acatar o contrário de
tudo que prometem nas campanhas eleitorais. Não mais há como
acreditar nisso que aí está. Esgotaram-se as esperanças de construir
algo melhor a partir da estrutura existente, pois esta se acha
carcomida, podre, inaproveitável para qualquer projeto.
E se não houvesse partidos
políticos? E se a democracia se assentasse diretamente na sociedade
organizada? O sistema ainda não existe, mas o que impede sua
implantação?
A carta de princípios da
Câmara Júnior Internacional, organização associativa dedicada ao
treinamento de liderança e desenvolvimento da cidadania entre jovens
cidadãos em todo mundo, diz, num de seus tópicos, que "os governos
devem ser mais de leis que de homens". E eu acrescentaria que a
democracia deve girar em torno de idéias, projetos, e não de
partidos. Em sistema destituído de partidos, os candidatos seriam
indicados pela comunidade organizada em assembléias e,
posteriormente, eleitos pelo voto livre, direto e secreto. Sem
partidos, desapareceria a famigerada - muitas vezes imoral -
barganha a que se obriga o chefe do Executivo, nos três níveis, para
se obter maioria no Legislativo, quando não alcançada nas urnas.
Essa maioria seria variável de acordo com a qualidade do projeto em
discussão e seu nível de interesse e prioridade junto à
coletividade. À base eleitoral de cada parlamentar seria dado o
direito de substituí-lo, a qualquer momento, manifestada a
insatisfação com sua atuação e/ou comprovado envolvimento em casos
de improbidade. Ficaria limitada a recondução do representante
popular a uma vez consecutiva, dando fim ao carreirismo e abrindo
oportunidade a outras lideranças também capazes de participar do
processo legislativo.
Desta forma, a atividade
política seria valorizada e, pelo menos, refreada a corrupção, uma
vez que sua eliminação é praticamente impossível. O primeiro passo
seria a rejeição ao sistema vigente com adesão ao VOTO ZERO, ou
seja, a digitação de ZEROS, na urna eletrônica, em lugar dos números
dos candidatos.
Partidos políticos já
fizeram mal demais à humanidade!