PONTO DE VISTA DO BATISTA
Votemos NÃO no referendo
Ter ou não ter arma; seria
a questão? Não! O que, ora, está em discussão, para se decidir no
referendo de outubro próximo é o comércio de armas, se devem ou não
ser vendidas no território nacional. Na verdade, o comércio legal de
armas já está prejudicado, extremamente restrito, e o que se
pretende é apenas fechar suas portas de vez. Por que então o tal
referendo, grande despesa para os cofres públicos e mais
aporrinhação para os eleitores?
Em linguagem popular,
diga-se que o governo tenta tapar o sol com a peneira; aplica o
chamado golpe do "joão-sem-braço". O que deveria ter sido colocado
em ampla discussão e submetido a referendo popular seria a posse de
arma em casa, para a defesa dos residentes, mas, o governo,
ardilosamente, tirou esse direito do cidadão com o Estatuto do
Desarmamento, em vigor desde 23 de dezembro de 2003. Desde então,
adquirir arma de fogo por meios legais tornou-se direito
extremamente restrito entre pessoas físicas não ligadas às forças de
segurança ou empresas do ramo. Tantas são as exigências, para compra
e o registro obrigatório, que o candidato à aquisição acabará por
desistir. Por aí se vê que o comércio legal de armas, praticamente
não mais existe no Brasil; isso, se cumprimento rigoroso da lei for
fato incontestável.
O referendo é um engodo,
uma farsa mediante a qual se dirá que a decisão foi democrática. E
seu resultado, sim ou não à proibição da venda, será inócuo, porque
de acordo com o Estatuto do Desarmamento ao cidadão brasileiro já é
proibida a propriedade e/ou posse de arma de fogo; lembrando-se
ainda que bandido não compra arma por vias legais. As dúvidas em
torno do assunto são tão grandes que, tanto partidários quanto
contrários, ainda apresentam argumentos pró ou contra o
desarmamento, já consumado, quando deveria ser em relação ao
comércio de armamento. O argumento de que a posse de arma não
garante segurança não deixa de ser verdadeiro, pois nem sempre a
pessoa está preparada para usá-la, no momento certo e de maneira
correta. E, com isso parece concordar a grande maioria. No outro da
questão, também, não se garante mais segurança com o desarmamento de
cidadãos honestos e pacíficos. Mas o combate - embora atrasado -ao
desarmamento não se faz porque se pretenda uma arma em cada casa,
mesmo porque grande parte dos que se põem contra ele não possui e
não usa arma. O titular desta coluna, por exemplo, abomina, nunca
possuiu, não possui, nunca usou e nenhum interesse tem por aquisição
e uso de arma de fogo. Mas isso é opção pessoal, que não deve
interferir no direito de outrem. E o que se questiona é justamente o
cerceamento ao legítimo direito de defesa, que é inerente a toda e
qualquer pessoa humana, lamentando-se, nesta oportunidade, que as
organizações defensoras dos direitos humanos tenham se omitido
quanto a isso.
Ser contra o desarmamento,
portanto, não é ser a favor da violência ou da justiça feita com as
próprias mãos, mas reconhecimento ao direito de opção pela posse de
arma em defesa de si próprio, de outrem e da propriedade. Nem que a
segurança pública funcionasse às mil maravilhas, o direito de defesa
poderia ser tirado ao indivíduo!
Com o Estatuto do
Desarmamento em vigor, cidadão que eventualmente matar a tiro
assaltante armado dentro de sua casa pode ser condenado por
homicídio, sem atenuante da legítima defesa, pois esse direito
estará desqualificado pelo uso de arma ilegal. E se o bandido
escapar ileso a disparo feito pelo dono da casa, este poderá
receber, atrás das grades, o escárnio daquele pela inusitada
situação, pois a posse ilegal de arma e o seu disparo podem lhe
render até sete anos de cadeia. "Tamo na mão de calango!" Votemos
NÃO!