PONTO DE VISTA DO BATISTA

Reforma da guerra

Nesta semana nem precisava me incomodar com o trabalho de preencher este espaço, pois, na semana reservada ao carnaval, adiantei o expediente em três semanas com a abordagem de temas que ficam bem em qualquer ocasião. Quiseram os donos do mundo que estourasse a guerra, há longo tempo anunciada, embora em nossas esperanças houvesse um cantinho reservado para o bom senso da parte dos dois homens mais destacados e seus sequazes, neste episódio, que futuros compêndios deverão qualificar como bestial e trágico. Vendo pela televisão cenas dos bombardeios, percebi como podem chegar juntas a inteligência e a bestialidade humanas, se a política tem à frente homens do mesmo nível, abaixo da linha mediana da sensatez. A guerra até que poderia existir, se fundamentada nos princípios da representatividade como concebe a democracia. Se os governantes governam em nome do povo, na guerra somente eles deveriam lutar.

Dois países que se desentendessem iriam à arena, representados por seus governantes e ali lutariam de alguma forma ou disputariam algum jogo de alta inteligência. O país que perdesse, pagaria ao outro uma pesada multa de guerra. Seria mais lógico, humano, civilizado e inteligente. Caberia à ONU, ou organização similar, a arbitragem de tais disputas. Ficaria ao gosto da cultura dos mais belicosos, cuja arrogância deve ter nascido das façanhas que o faroeste nos relata; também não mui distante das brigas, por qualquer dê cá uma palha, entre garotos do meu tempo. Dois se entreolhavam enfezados e num minuto estavam a se medir, cada qual a avaliar os pontos fracos do adversário, para dar os golpes certeiros, capazes também de despertar admiração e temor entre os que assistiam e atiçavam em volta. Sim, porque não se brigava (assim como também os países belicosos) só para ferir o adversário. Enfrentar bem um contendor significava ter o respeito dos colegas. A turba em volta se dividia e cada lado fazia pressão para que a briga passasse da troca de insultos para a troca de sopapos. Alguém desenhava dois catitos no chão e dizia; o que for mais homem pisa no catito do outro. Quando isso não resolvia, apelava-se para a figura da mãe. Aí não havia cristão que segurasse os contendores. Catiripapos eram então trocados com fúria despertada pela mais alta ofensa. No dia seguinte, com raras exceções, tudo estava esquecido. Quem dera que os garotos de hoje brigassem como os de ontem!

Transposta a guerra para a arena da ONU, imaginem o espetáculo que seria o enfrentamento dos governantes briguentos, cada qual recebendo o estímulo de suas respectivas equipes. De casa, as populações interessadas acompanhariam a guerra representativa, torcendo por seu respectivo governante, mesmo que este não tivesse razões muito limpas para ir à luta. A multa a receber do adversário vencido seria vantajosa para o país. Antes disso , entretanto, todas as armas seriam destruídas e proscritas. Essa forma de guerra, duvido que algum governante se atrevesse a comprar, porque ele não teria como repassá-la a inocentes e não gostaria de se submeter ao ridículo. Por enquanto, o jeito é agüentar as imbecilidades presidenciais e os horrores conseqüentes.

Pode ser que o mundo aprenda alguma coisa. E por falar em aprender, chama a atenção o fato de o suprimento de energia elétrica de Bagdá não cair nem com o mais intenso bombardeio. A eficiência do serviço de eletricidade iraquiano sugere à Cemig que mande lá seus técnicos para aprender como manter a cidade iluminada sob o impacto de tantas explosões simultâneas. Dizem que algumas bombas chegam a quase dez toneladas. Aqui, basta um coice de burro num poste para a toda a cidade ficar no escuro!

nbatista@uai.com.br

TEXTOS                                              PRÓXIMO

 
 
 

             HOME            

lique aqui  para adquirircom foto de Ouro Preto

Adquira, leia, comente e divulgue o livro BANDA DE MÚSICA, a "Alma da Comunidade"    

Home***Quem somos*** cidade***Hotéis/pousadas***Distritos***Atualidades***Cultura***Notícias

Pau na moleira***Textos***Curiosidades***Manual de viagem***Links úteis***Pesquisa***Negócios***Fale conosco