PONTO DE VISTA DO BATISTA

Remédio contra a zoeira

A inventividade humana vai além da imaginação! E é assim que pensamos na solução de um problema e, no momento seguinte, somos informados que alguém já trabalha com o mesmo objetivo. Um dos maiores incômodos, se não o maior, na vida humana hodierna é, sem dúvida, o excesso de ruído. À medida que novas máquinas se criam ou se amplia sua capacidade de rendimento, mais ruído se produz e, pior para o ser humano, quando o volume se estende além do tolerável por seu ouvido. Como a natureza é extremamente econômica, não criando nada desnecessário, nosso ouvido não tem proteção contra som em altura superior ao suportável pelo sistema auditivo. Não tem porque os sons produzidos pela própria natureza estão dentro da faixa do suportável. Para os olhos, aos quais a luz do sol pode ser danosa, a natureza proveu as pálpebras, mas para os ouvidos nenhuma proteção se criou, porque os sons naturais são perfeitamente suportáveis.

Em razão da intensidade dos sons artificiais, muitas vezes a superar a dos naturais, o ouvido humano acha-se seriamente ameaçado, prevendo-se diminuição da capacidade auditiva, se medidas não forem tomadas para reduzir certos sons a níveis suportáveis. Considera-se, portanto, promissora notícia vinda de Espanha, mais precisamente da Universidade Politécnica de Valencia, de que cientistas desenvolvem projeto em torno de dispositivo capaz de isolar o som quase por completo. O dispositivo, por enquanto chamado de "manto acústico", deverá entrar em fase de testes de laboratório. Segundo os especialistas, a nova tecnologia poderia ser aplicada na construção de residências e casas de espetáculo à prova de som. De acordo com a fonte, o projeto é bastante viável e pode ser produzido facilmente, não exigindo feitos extraordinários. Isso permitiria à construção civil dotar os imóveis de proteção gradual, até total, contra sons vindos de fora e, ao contrário, proteção do exterior contra sons produzidos em casas de espetáculo. Seria grande avanço contra o que já se denomina "indústria do barulho".

Todavia, ainda sobraria o espaço das ruas, onde ruídos continuariam a ser produzidos e pessoas atingidas, uma vez que paredes não os separam. As casas poderiam ter proteção contra o barulho dos grandes eventos externos, mas estes continuariam sendo incômodo para quem está na rua. O barulho dos motores alcança níveis estressantes e se agrava quando cuidados mínimos não se tomam na manutenção do escapamento, sendo até mesmo extirpado por irresponsáveis com a conivência do poder público, que não fiscaliza. Juntem-se a isso, buzinas, apitos e outros sinais permitidos, além da propaganda sonora também sem qualquer fiscalização quanto à sua intensidade. A somatória dos ruídos urbanos, praticamente inevitáveis, é de deixar qualquer pessoa com os nervos à flor da pele depois de um dia com os ouvidos expostos à captação.

Entretanto, querem os amantes da zoeira que a coisa seja pior. E assim, com a complacência do CONTRAN, DENATRAN, detrans, OUROTRAN e outros órgãos controladores do setor, o chamado som automotivo se converte em praga nacional! E a lhe dar suporte surge o "jeca-do-asfalto", figura descomprometida com quaisquer sentimentos de respeito aos direitos do próximo, princípios de civilidade e normas de boa convivência social. Eles abrem o volume dos graves ao máximo, imprimindo ao som a capacidade de fazer vibrar todo o organismo humano em sincronia com o chacoalhar das vidraças em ponto de estilhaçamento. É o máximo da agressividade ao nosso sistema nervoso, sendo provável que grande parte da violência urbana tenha como causa os altíssimos níveis dos sons eletrônicos, sem que qualquer autoridade, desde as da área da saúde até às da segurança, contra eles se manifestem!

Pena que o "manto acústico" nos livra apenas em parte dos "jecas-do-asfalto"!

nbatista@uai.com.br

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