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PONTO DE
VISTA DO BATISTA
Reminiscências do
Dom Bosco V
"O Dom Bosco é
Nosso", movimento que visa anular a negociação entre os salesianos e
grupo de empreendedores imobiliários, continua firme e forte,
conquistando importantes adesões, descobrindo e juntando valiosos
documentos, que podem ajudar na devolução daquele valioso imóvel
histórico ao patrimônio público. Para quem vivenciou a era de apogeu
das Escolas Dom Bosco, auferindo-lhe benefícios da forte influência
cultural, ou que teve o privilégio de frequentar suas salas de aula,
entre as mais educativas do Brasil, o ideal seria a continuidade do
estabelecimento de ensino, ainda que em mãos de terceiros com as
mesmas qualidades. Mas, se o contrário decidiram alguns dos
salesianos, que o imóvel (em sua totalidade, quando recebida do
Estado) volte ao patrimônio público federal, para continuar sua
missão educativa e cultural, iniciada em 1896, oito anos apenas
depois morte do fundador da congregação.
De todo o
Brasil, chegam manifestações de apoio à causa, embora entre os
locais (região de Ouro Preto, especialmente Cachoeira do Campo)
tentem minimizar o movimento e desencorajar seus integrantes.
Por questões de
saúde fui forçado a me afastar das reuniões e outras ações práticas
do grupo, mas continuei na troca de ideias e impressões por meio do
correio eletrônico, na manutenção da página
www.ouropreto-ourtoworld.jor.br/dbosco.htm,
especialmente criada no OURO PRETO WORLD, e, iniciei a publicação
desta série, para mostrar um pouco daquilo que vivi enquanto lá
recebia o melhor em educação, aprimorando a recebida no berço
materno. E aqui cabe revelar uma curiosidade ou coincidência: sem
saber que, repentinamente, seria internado em hospital, por quinze
dias, ao fim dos quais regressaria ao lar com marca-passo implantado
no peito, escrevi dois textos, além do que seria publicado na edição
nº 948. Por esta razão a coluna não sofreu descontinuidade. Foi
mesmo casualidade, ou, coincidência?
No meu tempo, o
grupo de semi-internos nunca chegou a mais de doze e seu pátio de
recreio era à frente da entrada principal, abrangendo o bosque
contíguo de velhos eucaliptos, embora avançássemos um pouco além,
para alcançar as frutas no pomar. Mas, que não nos visse qualquer um
dos superiores! Certa vez, perdi carona para casa no Land Rover,
dirigido pelo diretor, Pe. Mário Forestan, porque estava nas grimpas
de caquizeiro situado à margem da estrada. Meus colegas, cúmplices,
porém no chão, aboletaram-se no jeep e ainda me dirigiram gracejos,
às escondidas do padre.
No recreio,
nosso passatempo preferido era o "bente altas", jogo então muito
popular e, hoje, completamente desconhecido e desaparecido;
consequência da invasão dos carros, pois era jogo de rua, assim como
o jogo do finco (em ruas não calçadas ou pavimentadas) e a maré (ou
amarelinha) preferido entre meninas. Eu, não raras vezes, preferia o
bate-papo, pós-almoço, entre funcionários e um ou outro padre,
sentados na mureta num dos lados do pátio. Lá estava o Vítor Campos
(irmão do padeiro, Waldemar), responsável pela barbearia interna,
onde superiores e alunos aparavam seus cabelos e os padres ainda
mantinham a tonsura, pequena coroa raspada no alto da cabeça. Em meu
entendimento, creio ter sido criada para que a condição de padre
fosse identificada, mesmo que retirada a batina longe de seu reduto.
Hoje, padres frequentam até botequins de quinta categoria (quando
não pior), sem que sejam identificados como tais. Nunca faltava o
Joaquim de Lemos (Quinquim), secretário do colégio, dono da mais
bela caligrafia, que já conheci, e grande animador de conversa, pois
sabia expor suas opiniões e discordâncias com polidez. Se faltava, a
conversa ficava meio chocha, a menos que, em contrapartida,
estivesse presente o padre Baêta (José Tavares Baêta Neves),
professor de Francês e de História Geral, além de pároco de Glaura e
de São Bartolomeu. Mais no final de sua vida, ainda foi pároco de
Miguel Burnier. Havia também o dentista do colégio. No meu tempo,
dois desses profissionais passaram por lá, mas não me recordo dos
seus nomes. Nos primeiros dois anos, lembro-me também do "seu"Chicão,
administrador agropecuário do colégio, que implicava com a minha,
então, débil condição física. Segundo ele, meus estudos seriam pura
perda de tempo, pois não alcançaria os dezoito anos de vida.
Certa vez, padre
em visita ao colégio e participante do bate-papo resolveu testar um
dos semi-internos, justamente o mais novato. Perguntou-lhe: - o
que você pensa do Dom Bosco, não este colégio, mas o santo fundador
da congregação salesiana? O rapazinho não pensou muito e lascou:
- Acho que foi um tremendo dorminhoco. – Mas, que heresia
é esta, menino? voltou-se o padre surpreso. – Uai, são tantos
os sonhos proféticos, que Dom Bosco teve! Tem-se a impressão que ele
passou a vida a dormir! Diante daquela "explicação" nem o padre
conteve a risada!
nbatista@uai.com.br
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