Rodoviária subterrânea ou
fantasma?
A novela da estação
rodoviária e centro do artesão em Cachoeira do Campo/Ouro Preto-MG
virou piada de mau gosto, ou exemplo de como enrolar o povo,
manipular a opinião pública, enquanto se empurram soluções de
problemas com a barriga. Ao longo do tempo, por diversas vezes, a
administração municipal anunciou pretensão de dar melhor destinação
à área que a municipalidade detém em Cachoeira do Campo.
Antes da estação
rodoviária, a área localizada à direita da Rodovia dos
Inconfidentes, sentido Ouro Preto/Belo Horizonte, logo depois da
ponte do "Vai e Vem", seria aproveitada para se instalar entreposto
dos produtores rurais, algo como mini-ceasa. Posteriormente, por
pressão da opinião pública que há muito aponta a falta da estação
rodoviária, a idéia do entreposto se converteu em acessório de
projeto da estação rodoviária, para o qual verba federal já havia
sido liberada. Ficou só na conversa. A essa altura, artesãos e
comerciantes da pedra-sabão começaram a ocupar a margem de reserva
da rodovia junto à área municipal, e, alguns mais espertos ocuparam
parte desta e construíram lojas em alvenaria. A pendenga foi parar
na Justiça e só terminou no início do ano passado, favorável à
prefeitura.
Como prática rotineira na
administração pública brasileira, quando pouco faltava para se
definirem as candidaturas às eleições municipais, tiveram início as
obras do tão necessário e reclamado melhoramento, politicamente
pré-explorado na proporção direta de sua falta à comodidade da
população usuária do transporte coletivo. Enrola-se o povo com
conversa fiada nos primeiros e, no último ano do mandato, vêm as
obras feitas a toque de caixa, para serem inauguradas pelo sucessor
da mesma corrente política, ou paralisadas, se vencedora a oposição.
Completam-se agora os doze
meses previstos para entrega da obra, de acordo com a placa inicial,
que apontava tão somente "Construção do Espaço do Artesão" e
suscitou dúvida quanto à verdadeira natureza do projeto. A correção
se fez pintando-se em cima "Terminal Rodoviário de Cachoeira do
Campo e Praça do Artesão", outro equívoco, pois, "terminal" seria se
aqui findassem as linhas de ônibus, o que não é o caso dessa estação
necessária, desejada, prometida e não executada até agora. Por
alguns meses, homens e máquinas trabalharam no local, mas nada se
elevou, levando gaiatos a dizer que a estação rodoviária de
Cachoeira do Campo deve ser subterrânea... muito chique;
considerando que o prazo se esgotou e nenhum esclarecimento foi
dado.
Só mesmo o humor como
frágil armadura psicológica com a qual resistir à tortura da
expectativa ante as falsas promessas. Só mesmo a gaiatice popular
para fazer frente às pilhérias da administração pública, custeadas
por impostos e renovadas a cada período entre eleições! Cansados de
tantas promessas não cumpridas e maltratados pelo desconforto,
usuários procedentes de toda a região ainda convivem com o paradoxo
de Cachoeira do Campo ter passageiros para o transporte coletivo e
não ter estação rodoviária, enquanto a poucos quilômetros de
distância há estação, mas, não passageiros.
São coisas do Brasil que
enxota seus filhos da praça e lambe pés estranhos, os mesmos que não
nos aceitam tal qual somos, e nos chutam de sua casa; é próprio do
país que canta louvores à liberdade e democracia, mas impede a livre
circulação de seus cidadãos e os trata como marginais, sob desculpa
de dar segurança a estrangeiros; é próprio do país cujos
representantes do povo gastam dinheiro público como se fosse seu; é
próprio do país, onde a inversão de valores se processa tão
despudoradamente, a ponto de o honesto se esconder por medo de
chacotas.