PONTO DE VISTA DO BATISTA

"Rouba mas faz" a mola mestra da corrupção

"Quanto mais a gente reza, mais assombração aparece!" É o que diz a sabedoria popular diante de situações que, por muito que sejam combatidas ou cercadas de prevenções, longe de arrefecerem, até ganham força. Gostaria de não mais abordar o tema, porque até parece perseguição contra a classe política e há muitos dentre os mais visados a bater nessa tecla, apontando a imprensa como forjadora de sua imagem negativa diante da opinião pública. Reclamam, posam de bons mocinhos, mas basta um descuido e lá estão eles a aprontar outra traquinagem.

Apanhados novamente com a mão na botija, negam de pés juntos e mãos postas aos céus, a exemplo do ex-prefeito de São Paulo ao qual só falta negar a própria existência, na tentativa de escapar às acusações de desvio de recursos de obras públicas, peculato, remessas ilegais para o exterior, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Segundo as autoridades envolvidas no processo investigatório provas não faltam e mais robustas não precisariam ser para levar o acusado a julgamento. Pela posição econômica como grande empresário e destaque político, ex-prefeito da maior cidade sul-americana, já cogitado para se candidatar a presidente da República, além do volume dinheiro envolvido, seu caso ganha mais repercussão, mas não é o único.

Por todo o país se apontam agentes políticos, de alguma forma envolvidos em algum tipo de corrupção. Embora tenham contra si sérias acusações, continuam em seus cargos, são reeleitos ou voltam mais tarde no bojo de outro pleito. Infelizmente, para grande parte do eleitorado ainda prevalece a cínica justificativa do "rouba, mas faz" para eleger corruptos, escorada nas artimanhas legais que levam à impunidade. Entre nós a corrupção vai muito além de fatos isolados, de autorias ocasionais ao sabor de eventuais oportunidades. Ao tecido ético-legal da sociedade brasileira permeia-se malha trançada com o fio da corrupção, daí a ocorrência de fraudes em programas sociais do governo como, por exemplo o programa Bolsa Família, em que pessoas não necessitadas ocupam lugar dos verdadeiros destinatários; daí também a situação do país, rico em recursos naturais, porém padecente de miséria em todos os sentidos. A incidência desse mal é de tal monta que anula iniciativas voltadas para o combate à corrupção, seja na caça e punição de seus agentes, seja na busca da correção de nossa mentalidade distorcida por séculos de malandragem e culto à esperteza. Não encontram respaldo suficientemente forte e convincente, visto que a inversão de valores transmuta em empreendedor competente o indivíduo que transgride, viola, trapaceia, sonega e desvia recursos na conquista do sucesso pessoal. Honestidade é defeito de covarde, que não arrisca, tem medo de cadeia ou não tem influência política para quebrar resistências legais. E, ao que se arrisca no combate à corrupção sobra o rótulo de visionário, que se arrosta contra moinhos de vento.

A constrangedora nota de 3,9, numa escala de zero a dez, que coloca o país no 59º lugar a partir dos menos corruptos, deveria motivar reflexão nacional e tomada de posição com vistas a uma reversão, mas, como tantas outras advertências, não deve gerar senão notas em jornais e protestos de alguns discordantes, com os quais concordamos, pois não se aceita que nos apontem defeitos.

nbatista@uai.com.br

TEXTOS                                                                          PRÓXIMO

 
 

             HOME            

lique aqui  para adquirircom foto de Ouro Preto

Adquira, leia, comente e divulgue o livro BANDA DE MÚSICA, a "Alma da Comunidade"    

Home***Quem somos*** cidade***Hotéis/pousadas***Distritos***Atualidades***Cultura***Notícias

Pau na moleira***Textos***Curiosidades***Manual de viagem***Links úteis***Pesquisa***Negócios***Fale conosco