PONTO DE VISTA DO BATISTA

Abre-se o "saco de maldades"

Diz adágio popular que "depois da tempestade vem a bonança"; na natureza, é claro, porque para quem sofre a tempestade ainda podem vir conseqüências preocupantes, sobretudo para os de menos posses.

No campo político, o país sofre a tormenta da corrupção em sucessivas ondas, e se esperava que, apuradas as denúncias e comprovados os fatos no cerne de cada escândalo, pudesse a nação voltar-se para questões positivas, da correção de erros à implementação de projetos de desenvolvimento em sintonia com perspectivas de melhores condições de vida para a população. Não é o que está para acontecer, passadas as eleições que, em terras tupiniquins, tem o pendor de apagar o que foi dito e escrito. E tudo recomeçar na mesma linha de antes, sob o maior cinismo!

Cauda de outro escândalo, o das ambulâncias superfaturadas, ou dos "sanguessugas" como ficou conhecido, surgiu na esteira da campanha eleitoral mais este do dossiê, cuja investigação se processa a passos de tartaruga. O resultado que se prometeu para logo depois do primeiro turno, agora é anunciado para depois do segundo. Inicialmente cria-se fervorosamente na reeleição em primeiro turno, mas o estrago provocado pelo novo escândalo foi maior do que o esperado; por isso, foi reduzida a velocidade dos trabalhos da Polícia Federal no caso, para evitar que a verdade sobre a origem do dinheiro não frustre as expectativas também no segundo turno. De acordo com o cinismo político-partidário, a verdade só deve aparecer quando e se lhes convém! Às favas o povo e suas cobranças, às favas a opinião pública, às favas a ética e tudo mais que represente transparência junto à coletividade. Para políticos, vencer eleições está acima da verdade e por aquele objetivo vale tudo. Ao povo cabe tão somente acatar leis e pagar impostos. Para confundir uns e outros, há sempre a mídia como bode expiatório, comumente acusada de distorcer os fatos ao se constatar repercussão negativa na opinião pública.

Desta vez, nem se esperou o fim da eleição, para se abrir o saco de maldades em contradição às fartas promessas de campanha. A primeira refere-se à CPMF. Inspirada na idéia do imposto único, e criada em caráter provisório com a finalidade de financiar a saúde, nunca foi provisória nem na intenção, assim como não contribuiu para melhora da saúde. Descoberta como maneira mais fácil de arrecadar, com risco de sonegação próximo de zero, cogita-se de estender seu prazo por mais um período igual de sua vigência até agora, mesmo não tendo a sociedade recebido em troca o que fora prometido, na época, para que fosse aprovada com urgência. Na área da chamada Previdência Social, como se não bastasse a penúria constante dos seus "segurados", fala-se em desvincular novamente os "benefícios" previdenciários do salário mínimo, o que significa voltar a Previdência a pagar valores menores que o salário mínimo vigente. E não é só isso. Auxílios doença também poderão ser contidos nas concessões e reduzidos nos valores pagos.

Quanto aos grandes devedores da Previdência não se sabe de qualquer ação prática no sentido de forçá-los a pagar. Mas aí entra também a questão moral dos governos, porque entre os grandes devedores contam-se empresas estatais, secretarias de governo e grande parte das prefeituras. Enquanto isso, congressistas se mobilizam para, praticamente, dobrar seus subsídios, em sentido contrário ao reajustes dos servidores federais, que deverão ser menores segundo o que deixou escapar o coordenador da campanha da reeleição.

Que não se iludam os eleitores! Essas maldades poderão vir com qualquer resultado da eleição!

nbatista@uai.com.br

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