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Início de 1904, a República ainda adolescente,
poucas perspectivas se ofereciam a Cachoeira do Campo, que também
se vira abandonada depois de a capital se transferir de Ouro Preto
para Belo Horizonte. Com a saída de grande parte da população,
funcionária do Estado, a cidade de Ouro Preto se transformara quase
numa cidade fantasma. Para se ter uma idéia da desolação
provocada pela transferência, basta dizer que, segundo se contava
entre os remanescentes, muitas casas foram deixadas com as chaves na
porta. O reflexo nos distritos foi imediato, com a paralisação de
muitas atividades e queda na renda da população rural. Foi nesse
clima de incertezas que a comunidade, no dia 11 de fevereiro de
1904, recebeu as primeiras freiras salesianas, para cá enviadas com
a missão de educar. No início, elas ensinaram em domicílio.
Somente em 1913, depois de construído o prédio sobre as ruínas do
antigo Palácio da Cachoeira - residência do governador da
Capitania - tiveram elas instalações próprias. No mesmo local
onde, em 1789, Joaquim Silvério dos Reis sussurou a infame
denúncia contra Tiradentes e seus companheiros, vozes de meninas,
especialmente as vitimadas pela orfandade, agora davam o tom do
futuro no qual se inseria a esperança. O tempo do orfanato passou.
"A escola Nossa Senhora Auxiliadora evoluiu e chega aos 100
anos com alto conceito, pois seu trabalho de ensinar vai muito além
do conteúdo básico. Ocupa-se da formação do cidadão como um
todo". |
Caracterizadas
com o antigo hábito das irmãs salesianas, alunas da escola
desfilaram montadas, lembrando a chegada em 1904

Na
Praça Felipe dos Santos (frente à igreja-matriz), elas foram
recebidas pelo povo

Música
e dança antecederam a celebração religiosa no adro da matriz de
Nossa Senhora de Nazaré

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