"Severinadas" e
incoerências petistas
Uma bofetada na cara de
todo o povo brasileiro foi o resultado do grande circo armado para a
eleição da mesa diretora da Câmara Federal, pois, embora os
políticos não correspondam ao ideal preconizado pela coletividade,
um fio de esperança a mantém ligada ao sonho de ser bem
representada, defendida suas reivindicações e atendida em suas
necessidades mais prementes. Mesmo sabedora do quanto de interesse
pessoal existe nas ações políticas, o povo ainda esperava que os
senhores deputados escolhessem o presidente da mesa de acordo com os
mais altos objetivos, ou seja, com a atenção voltada para as
discussões dos grandes e graves problemas, há muito na fila de
espera da decisão. Escolhê-lo visando propósitos pecuniários, ou
seja, aumento dos próprios subsídios – erroneamente chamados
salários – seria o máximo da falta de vergonha, mas foi isso que
aconteceu, quando a maioria "severinou".
Essa história de que foi
ponto para a democracia é conversa mole pra boi dormir, pois os
parlamentares não votaram com a consciência política e sim com o
bolso. Também não foi ato de rebeldia ao "controle" do Executivo ou
um não à subserviência em relação àquele poder. O agora presidente
da Câmara dos Deputados nunca escondeu seu pensamento em relação aos
subsídios dos parlamentares, e fez do seu aumento o mote da campanha
junto aos colegas para eleger-se, não se constrangendo quanto ao
percentual de sessenta e sete por cento, que corresponderiam a nove
mil reais. E no mundo do trabalho, quem não está desempregado tem
seu salário corrompido. Nove mil reais é o que ganhariam a mais os
deputados, se a intenção não encontrasse resistência na figura do
presidente do Senado. Para ganhar só o acréscimo que os deputados
teriam, o trabalhador teria que suar camisa durante dois anos e
meio! Dizer agora que o presidente da Câmara Federal recuou diante
da grande pressão da opinião pública é outra grande mentira. A
opinião pública só encontrou eco no Senado! Mesmo assim e para
comprovar que, em se tratando do zelo por seus próprios interesses,
os políticos são rápidos no gatilho, aumentos de subsídios de
vereadores com base na tentativa levada a efeito na Câmara Federal
pipocaram em todo o país. A febre do dinheiro se espalhou no corpo
parlamentar como veneno de cascavel no corpo do roceiro atacado pelo
réptil! Quem não "severinou" agora agiu por conveniência, à espera
de melhor momento!
E já que se buliu com o
Legislativo, não percamos a oportunidade de tirar mais casquinhas na
equipe planaltina, que integra o Executivo, seja de terno e gravata
no palácio, ou o time de "futéeebol" (do sotaque paulista) de calção
e chuteiras, na Granja do Torto, com direito a churrasco e cervejota
a cada fim de semana. Em terras tupiniquins, onde mais vale o pé na
bola de que na escola, é direito pessoal do presidente gostar de
futebol, ter seu time de preferência ou mesmo abusar de analogias
entre fatos político-administrativos e coisas do gramado, mania que
vem se copiando entre seus seguidores mais próximos; sintoma do
fervor puxa-saquista! Mas o presidente e sua equipe pisam na bola ao
vestir camisa estampada com propaganda comercial, o supra-sumo na
exploração da individualidade em proveito do mercado. E se não
bastasse esse pecado capital, de acordo com o catecismo esquerdista,
a marca em foco é alienígena, sabotadora do paladar nacional no
campo dos refrigerantes.
Ligar, comercialmente, a
figura do supremo mandatário da nação a qualquer produto não fica
bem para um governo que se diz defensor da ética. Afinal, temos na
Presidência da República estadista ou garoto-propaganda?