PONTO DE VISTA DO BATISTA

Sistema podre

Aproximam-se as eleições municipais e toda a atenção política se concentra na campanha que, por força legal, se faz mais restrita, eliminados alguns recursos específicos acessíveis aos de maior poder econômico, mas ainda desfavorável no que toca ao eleitor, bombardeado com muitas promessas, que se sabem longe de ser cumpridas. O eleitor continua perdido, como sempre esteve, porque ao longo da história, o que se viu e o que se vê é o político esquecer suas promessas ou pedir que esqueçam o que prometeu. Simplesmente não existe seriedade no fazer política; e isso começa com as alianças, misturas difíceis de engolir, se consideradas as ditas linhas partidárias e o histórico de confrontos ideológicos entre agremiações. Ganha a eleição, haja espaço para acomodar tantos interesses somados, na campanha, com vistas a um naco do poder!

Ao invés de procedimentos na direção do cumprimento de promessas, o povo passa a ser espectador da luta entre os aliados de campanha, por conveniência. Afagos e sorrisos pré-eleitorais dão lugar a uivos e ranger de dentes! É o resultado da mixórdia de partidos sem consistência política, "unidos" só para a conquista de votos! É nesse clima que se desenrola a maioria dos mandatos, até o último ano, quando então se executam obras de destaque, visando o pleito seguinte.

A mais recente pesquisa (início de agosto) feita por encomenda da Associação dos Magistrados do Brasil-AMB, repetiu resultados parecidos com os de pesquisas anteriores. Em torno de oitenta e cinco por cento dos entrevistados consideram a atividade política como benefício à classe política e não à população; e oitenta e dois por cento acusam os políticos por não cumprirem promessas de campanha. Grande maioria aponta a corrupção como grande fator de descrédito da classe política, agravada pela impunidade. No caso da impunidade é bom lembrar a rejeição do Supremo Tribunal Federal-STF à ação da Associação dos Magistrados do Brasil para barrar candidaturas de condenados pela Justiça em qualquer instância. Em todo o país vêem-se candidatos envolvidos em processos por corrupção e má administração. Essas pessoas podem ser eleitas, ficar impunes e aprontar outras falcatruas contra os interesses públicos. Enquanto isso, trabalhador apanhado no furto de galinha vai para o xilindró, podendo perder o emprego ou ficar impedido de obtê-lo, se for o caso.

Quanto ao partido político, é a instituição mais desacreditada, não merecendo lealdade nem mesmo dos seus afiliados, que vivem a saltar de um para outro conforme sopra o vento das conveniências. E do eleitorado, segundo apontou a pesquisa, apenas dez por cento escolhem candidato de acordo em razão do partido. Conclui-se, então, que partido político existe apenas porque a lei exige a filiação do eleitor a um, para que possa se candidatar a cargo eletivo; para que os políticos se sintam protegidos corporativamente; e para que se façam os arranjos necessários à busca dos seus interesses. Não há como confiar no sistema político-partidário, podre como está. E ainda que fosse o melhor dos melhores, partidos representam interesses de grupos, que almejam o domínio do todo, em detrimento do que pensam ou querem os demais que, quase sempre, é maioria.

A verdadeira democracia só existirá no dia em que não mais houver partido político de qualquer espécie, e a Política (com "P" maiúsculo) for conduzida diretamente pela sociedade organizada. A sociedade apontará os pré-candidatos, os melhores serão escolhidos nas urnas pelos eleitores, reservando-se a estes o direito de cassar qualquer mandato que não cumprir o mínimo da exigência legal, atentar contra o decoro, fizer má administração ou se envolver em corrupção. Enquanto isso não acontece, a opção dos insatisfeitos com esse estado de coisas é o VOTO ZERO, ou seja, preenchimento com zeros o número do candidato. Partidos políticos já fizeram mal demais à humanidade!

nbatista@uai.com.br

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