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PONTO DE VISTA DO
BATISTA
"Talebãs"
de um lado e lobos do outro
Para o cidadão
livre, nada melhor do que exercer seu direito de escolha, sem
constrangimentos e patrulhamento de quem quer que seja, quanto a
qualquer rumo que deseje tomar em sua vida, desde que com isso não
prejudique o direito de terceiros. É o pilar moral da democracia! A
liberdade de associar-se a grupos de qualquer natureza sob amparo legal
e, por meio deles, exercer atividades várias, emitir opinião, divulgar
idéias, promover a interação de pessoas e de seu grupo com outros,
por meio do debate democrático, constitui uma das maiores conquistas do
cidadão na sociedade organizada.
Entre os muitos
direitos garantidos ao cidadão, está o de escolher e professar a
religião que melhor satisfaça aos ditames de sua consciência. Por
força de tradição - derivada da imposição colonial e consolidada
pelo culto agregado ao Estado durante o Império - até há pouco tempo,
o catolicismo foi religião praticamente única no Brasil, com exceção
dos grandes centros onde outros credos eram praticados acanhadamente,
quase como clandestinos. À diversidade de cultos hoje praticados no
interior chegou-se por meio da queda de preconceitos, antes arraigados,
contra o protestantismo. Mas, a debandada geral para as hostes, hoje
ditas evangélicas, é facilitada pela dessacralização do culto
católico patrocinada por ministros mais afeitos à política, que
exercem a preferência por jovens e transformam igrejas e capelas num
misto de palanque e auditório de shows populares. Paralelamente ao
processo de vulgarização do culto junte-se o desrespeito e
conseqüente destruição da cultura local, por parte dos mesmos
ministros religiosos, que agem como "talebãs" versão
tupiniquim. Do terror teológico, que pelo menos mantinha valores
morais, sobretudo dentro da família - menor fração da sociedade
organizada – não precisavam ter passado à vulgaridade com a
expulsão do aparato solene, valorizador do culto e inspirador do
respeito, se quisessem tão somente atrair novos fiéis.
Os líderes
evangélicos não poderiam encontrar melhor campo, onde semear a dúvida
e seduzir seguidores para seus templos que brotam como cogumelos. Em
meio à revoada de católicos (terão sido algum dia?), de repente
convertidos em "crentes", propaga-se que estes são honestos,
numa insinuação maldosa de que católicos não o são. Valendo-se
dessa falsidade, alguns apresentam a condição de evangélicos como
prova de que merecem confiança, mais de que outrem. Pura falácia!
Conversa pra boi dormir! Pilantra existe em toda parte e honestidade
não tem religião. Mas os espertinhos se promovem e, por tabela,
denigrem a imagem dos católicos. Com fala mansa e muitas referências
à opção religiosa, assumem compromissos financeiros e não os
cumprem. "Aceitam Jesus" (como se católicos O repudiassem) e
dão o nó no próximo, sobretudo se este não é evangélico.
Num dos mais
gritantes casos recentes, um casal dito evangélico sumiu na madrugada
com o veículo de outro casal (não evangélico) que o ajudava em tudo,
até na garantia de compras a prazo. Os dois trabalhadores ficaram sem o
veículo – ferramenta de trabalho - e ainda tiveram de tapar o rombo
que os pilantras deixaram na praça. Da falsidade revestida pelo novo
manto religioso, assumido muitas vezes por conveniência, exemplos não
faltam. E é bom que na hora de empreender negócios, o cidadão (de
qualquer fé religiosa) se acautele contra esses indivíduos.
A quem gosta de fazer
citações bíblicas a todo o momento, digo que esses novos
"crentes" são sepulcros caiados; belos por fora e podres por
dentro. Sob outra imagem tirada dos evangelhos, são como lobos sob pele
de ovelha, prontos para dar o bote e arruinar o aprisco. Mas os, outrora
diligentes, pastores católicos estão ocupados com outros misteres.
nbatista@uai.com.br
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