"Tamo" na mão de calango!
Na véspera do Dia das
Mães, data que celebra amor e vida, o Brasil se assustou e o mundo
voltou sua atenção para a violência eclodida, em São Paulo, sob o
comando de organização criminosa que, mesmo com parte de seus
líderes trancafiados, tem levado intranqüilidade à sociedade,
desafiando a tudo e a todos. Em três dias, a contagem de mortos
alcançou quase uma centena, número muitas vezes não alcançado em
combates bélicos, lamentando-se ainda que as vítimas, em sua
maioria, tenham sido das forças de segurança pública. É de se
perguntar como pode acontecer e por quê.
Desde a promulgação da
nova Constituição e o fim da repressão política, excrescências vêm
se misturando no mesmo saco das garantias democráticas, confundindo
direitos humanos e direitos de cidadania, o que tem produzido o
paradoxo de o cidadão, no verdadeiro sentido da palavra, usufruir de
menos direitos do que o marginal, livre ou atrás das grades. O
estágio ao qual chegamos, demonstrado por bandidos no fim da última
semana, é o coroamento do processo iniciado, anos antes, no seio
familiar, com a adoção do princípio do "laissez-faire" (deixe
fazer), por meio do qual, e com a parceria da televisão, se criam
tiranetes desde as fraldas. Primeiro, os pais abdicaram da
responsabilidade de educar, no verdadeiro sentido, preparando o
filho para a vida e para o convívio com os semelhantes. Do berço, de
liberdade inconseqüente, o fedelho pula para a escola, de onde foi
confiscada a autoridade do professor, e aí galga os primeiros
degraus da alienação, ante-sala da criminalidade e do banditismo.
Esses aprendizes de bandido ameaçam professores na escola com armas
de fogo, facas, estiletes, e nada acontece em sentido contrário.
Atos indisciplinares diversos, como desperdício proposital de
alimento, têm cobertura de instância superior da estrutura de
ensino, que proíbe o professor de punir. Outra vertente dessa
educação perniciosa desaguou na formação de agentes públicos
inescrupulosos, responsáveis por toda a sorte de corrupção que faz
sangrar o país nas mais altas instituições, incluindo-se a que detém
o poder de legislar.
O resultado disso não
podia ser outro senão a sociedade sob dois fogos: o do poder
corrompido e distante dos reais interesses da nação, e o do
banditismo, beneficiário direto de leis fajutas, que punem mais os
cidadãos de fato. De dentro do poder vozes se elevam com promessas
de mundos e fundos em prol da segurança pública, a cada investida –
sempre vez mais atrevida - dos criminosos. Não passam de
engabelação, conversa mole pra boi dormir, enquanto não vem outra
afronta criminosa. E toda a lorota volta a se repetir do lado de
dentro do balcão governamental! Chega-se ao absurdo de o Estado
fazer acordos com quadrilhas!
Em face de tudo isso,
conclui-se que o Estado faliu na questão da segurança pública,
deixando a sociedade completamente à mercê dos bandidos. De casas de
punição, as penitenciárias se converteram, informalmente, em centros
de apoio ao banditismo. Nelas os chefes de quadrilhas ditam normas,
fazem exigências, e delas comandam o crime cá fora; tudo com a
segurança proporcionada pelo Estado.
Há muito tempo, a
sociedade aponta falhas e reclama por reformas. Entretanto, pessoas
sérias integrantes da estrutura do poder são desacreditadas, e, a
imprensa, quando denuncia, é taxada de sensacionalista. Tem-se a
sensação de que já vivemos sob o domínio de um estado paralelo!
Governo é apenas pró-forma, para manter aparências acima das
quadrilhas internas, como as do "mensalão", das "ambulâncias" e das
externas dirigidas diretamente de dentro das penitenciárias do
Estado.
Tamo na mão de calango!