PONTO DE VISTA DO BATISTA

Depois da tempestade, a bonança...

"Depois da tempestade vem a bonança"! Como deve ser gratificante para políticos o conteúdo de fundo desse adágio popular! Por mais intensa que seja e por mais tempo que dure, a tempestade passa. Cessa completamente, cedendo lugar à calmaria.

A explosão dos escândalos políticos no ano passado pode ser comparada a violentos fenômenos naturais e muitas vezes o foi, em considerações feitas por críticos na imprensa. Entretanto, bonança não há para quem sofre os efeitos dos ditos fenômenos, cujo alcance na vida das vítimas é algo que pode superar tudo que se imagina, incluindo-se aí o tremendo impacto momentâneo, do que nos parece fúria da natureza, sob a forma do medo, pânico e insegurança. Passado o momento crítico em que poucos foram apanhados no olho do furacão político, mais como resposta aos reclamos da opinião pública, prenuncia-se o restabelecimento da "normalidade" com a absolvição geral dos que formavam o ciclone da corrupção investigada nas diversas CPIs ainda em curso no Congresso Nacional. Depois de tanto bafafá, que fazia crê na enfim recuperação da moral político-administrativa deste país, assiste-se à festa da pizza, prenúncio de que tudo pode se repetir dentro em pouco, assim como esta verdadeira ópera bufa se constitui em extensão de outra, na qual se sagraram os "anões do orçamento".

Ao rompante do tenor no palco da ópera se contrapôs - dito pelo próprio - peso do "armário" (presumivelmente, do tipo boate), deixando-lhe como advertência um olho panda. Rapidamente saiu de cena, sem cantar a ária comprobatória por todo o público aguardada, e, assim o suspense mantido durante algum tempo teve clímax precoce, porque provas inegáveis, embora evidências fossem claras, não se mostraram. Estabeleceu-se o "chove, não molha" sacudido, intermitentemente, pelo trovoar de mais denúncias e acusações também desacompanhadas do elemento prova. A essa altura, antes da degola dos poucos, percebeu-se o jogo que consistia em dar ao público a impressão de apuração ampla, geral e irrestrita, enquanto se dava tempo ao tempo que, a exemplo da água, em quantidade crescente, chega a diluir por completo as impurezas.

Mais distante dos fatos e menos das eleições, tendo, entre um ponto e outro, aliviada a memória do eleitor, tudo se arruma para que os mesmos suspeitos prossigam na investida contra os interesses da coletividade. É isso que interessa, independente de qual seja o partido a que pertença o político porque, no fundo, todos se igualam. Se isso não fosse verdade, acordos – mesmo debaixo dos panos - não haveria para livrar a cara de uns e de outros, conforme se constatou em recente julgamento de políticos investigados pelas CPIs em andamento.

Este é o sistema político vigente no Brasil: uma cleptocracia escancarada aos situados atrás do balcão e tentadora aos mais próximos que, do lado de fora, tudo fazem para se juntar aos primeiros.

Democracia mesmo, só haverá no dia em que se extinguir o último partido político e todo o eleitorado tiver deveres e direitos iguais, desde a escolha dos candidatos até o registro do voto na urna; no dia em que a carreira política deixar de ser profissão e se tornar missão confiável aos mais capazes e honestos na gestão da coisa pública, idealistas e sensíveis às carências humanas; depois que todos se conscientizarem que partidos políticos já fizeram mal demais à humanidade. O primeiro passo para isso é a rejeição pública e consciente do malfadado sistema vigente.

Comecemos nas próximas eleições com o VOTO ZERO!

nbatista@uai.com.br

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