Outro tema, entre muitos,
poderia ser abordado, mas quiseram alguns dos nossos semelhantes que o
insólito, o trágico, o bestial dominasse nossas atenções a partir
daquela manhã de 11 de setembro, Custa-nos crer que um punhado de
indivíduos tenha tido a frieza de preparar, durante longo tempo, a morte
indiscriminada de milhares de inocentes; sim, porque ações como aquelas
não se executam, sem estudos prévios, planejamento, treinamento e alto
investimento em recursos financeiros. É de estarrecer como programaram a
morte de milhares de pessoas, incluídas as dos executores finais do
ataque, baseados no radicalismo e ódio políticos, no fanatismo religioso
ou em quaisquer outros motivos, todos com o mesmo grau de insensatez que,
aos olhos de nós outros, só pode significar loucura. Como pode alguém
se entregar, de corpo e alma, ceifando suas próprias vidas para que
milhares de outras tenham o mesmo fim? Em estado de guerra declarada, os
ânimos exaltados e o objetivo perseguido, consubstanciado na derrota do
inimigo, induzem a atos insanos, então ditos heróicos. Em estado de não
beligerância isso não tem explicação, senão na alienação.
Os que reagiram favoravelmente
à insanidade, crendo que o ataque aos símbolos norte-americanos e
capitalistas puseram em cheque tão somente aquela nação e seu sistema
de vida, são simplórios históricos. Para os idealizadores e executores
do plano infernal a intenção primeva talvez tenha sido aquela.
Entretanto, transcendeu a si mesma e atingiu toda a humanidade, não
importando a ideologia, este ou aquele regime político, questões de
etnia e muito menos de fé, que deve ser coisa de foro íntimo e não da
vontade grupos. Foi um crime contra a humanidade, um genocídio como
tantos outros, infelizmente acontecidos e condenados também pelos mesmos
que agora praticam mais este. Atingiu a espécie como um todo nos seus
mais sagrados direitos e cada indivíduo em particular.
É bem verdade que os
norte-americanos se concedem um poder além do direito que lhes é
inerente, mas se não fossem eles seria outro povo, outra nação, pois
desde o estado tribal grupos hegemônicos controlam a sociedade humana.
Até mesmo o Brasil poderia ou ainda poderá ser uma potência líder.
Enganam-se os que pensam que o Brasil exerceria um poder limpo e a salvo
de críticas. Faria a mesma coisa que já fizeram os "ex-donos"
do mundo e fazem agora os norte-americanos. Vejam o que fazem os
políticos em relação ao seu próprio povo!. Mesmo na condição atual,
há vizinhos que nos rotulam "los imperialistas brasileños";
prova de que a antipatia movida contra o gigante do norte, em parte, é
pura revolta por não ser o que ele é ou não ter o que ele tem.
Grandes acontecimentos
trágicos foram profetizados para o último ano do século vinte e, mais
especificamente, para a virada daquele ano com o temido "bug" do
ano 2000. Nada de extraordinário aconteceu. Para a frustração de
muitos, no dia 1º de janeiro do corrente entramos no século vinte e um e
no terceiro milênio sem que o mundo virasse de cabeça para baixo. Quando
já estávamos nos acostumando com a idéia de que a mudança indicada
pela folhinha não corresponde, necessariamente, a grandes alterações em
nossas vidas, a não ser que assim decidamos, eis que terceiros se
encarregam de alterar o rumo da história. E da forma mais trágica
possível! Segundo os cultores do insólito na marca de uma época,
podemos considerar que o século XXI começou de fato naquela manhã de 11
de setembro, pois o mundo já está sendo repensado desde aquele dia!