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PONTO DE VISTA DO
BATISTA
E tudo continua como dantes
Ainda que não legal, ou
melhor, fora do período legal, pois candidatos de fato nem há, a
campanha eleitoral aí está; patéticos, destoantes, insossos, os
ainda pretensos se soltam à caça dos votos com a mesma lengalenga de
sempre, empurrados pela mídia e por pesquisas de opinião, o
ancoradouro dos votos "maria vai com as outras", próprio dos que
pensam com cabeças alheias. Falam em democracia como se esta se
encerrasse na manifestação da vontade do eleitorado por meio das
urnas, pois o que dizem não mais é do que isca com que prender
incautos. A história tem demonstrado que depois de eleitos a
conversa é outra, mas que fazer nós outros se a patuleia se deixa
levar por miçangas?
Enquanto pretensos
candidatos a presidente dão o tom do que será campanha em período
regular, ditos representantes do povo na Câmara Federal dão as
costas ao representado, não o ouvindo quanto a mais legítima das
reivindicações, ou seja, a qualidade moral dos candidatos em
consonância com as exigências dos cargos eletivos pretendidos.
Mobilizado em todo o território nacional para impedir que se
apresentem candidatos com pendências na Justiça, o eleitorado somou
o número exigido para que se desse entrada de projeto de lei de
iniciativa popular,
que impedisse a candidatura de pessoas (a
qualquer cargo eletivo) condenadas em primeira ou única instância ou
por meio de denúncia recebida em tribunal – no caso de políticos com
foro privilegiado – em virtude de crimes graves como: racismo,
homicídio, estupro, tráfico de drogas e desvio de verbas públicas.
Se não todos, boa parte
dos propositores esperava que os parlamentares não fugissem à
responsabilidade da representação popular, votando e aprovando o
projeto de lei. Entretanto, a exemplo de outras ocasiões, a
reivindicação do povo foi deixada de lado, confirmando-se que, na
prática, o legislador não representa o povo conforme preceitua a
Constituição. Fazem leis que interessam à classe política e não ao
povo. Pesa ainda, favorável à decisão dos parlamentares na
manutenção do status quo, o fato de grande parte da classe política
ter contas a ajustar com na Justiça. Conscientes do laço no pescoço,
não entregariam a outra extremidade da corda. Poucas cabeças
sobrariam no quadro político.
Parlamentares, nos três
níveis, se cercam de privilégios para fazer o que lhes é favorável,
incluindo-se a fixação de seus subsídios, erroneamente classificados
como salários a ponto de serem arrogados direitos trabalhistas, como
o décimo terceiro salário. Ainda que pressionados pela opinião
pública, em decorrência de sucessivos escândalos provocados por
corrupção, políticos agem como se infensos à lei e dispensados de
prestar contas a quem os elegeu. Em razão disso, mais uma eleição se
realizará, viciada por inúmeros pontos negativos, que maculam o
conceito de democracia.
Tardiamente, em 1932,
quarenta e três anos da Proclamação da República, a mulher
conquistou direito ao voto, mesmo assim com impedimento às solteiras
sem renda própria e às casadas não autorizadas pelos respectivos
maridos. Aos trancos e barrancos, ela conquistou o pleno direito ao
voto, bem como, ainda em número reduzido, conseguiu se eleger para
cargos de todos os níveis, faltando apenas o de presidente da
República. Mesmo essa participação mínima, fixada em trinta por
cento em cada partido, corre o risco de cair a zero, se o partido
não atingir aquele percentual de candidatas a deputado. Segundo
interpretação da lei (marota), ou se preenche a cota de trinta por
cento ou o partido não registra nenhuma candidata. A pendenga vai à
decisão do Tribunal Superior Eleitoral.
Pergunta-se onde está a
igualdade de direitos entre os cidadãos e que democracia é esta, na
qual a participação da mulher candidata é limitada por cotas. Se os
números estão aquém do desejável é porque algo as inibe e as tolhe
na interação dentro dos partidos, mas a participação feminina deve
ser em pé de igualdade. Não é porque, na verdade, os partidos não
passam de grupos com interesses diversos das necessidades nacionais,
preocupados em tão somente conquistar o poder ou nele se manter. E
está longe de tudo isso consertar! Ainda teremos corruptos a
disputar eleição e talvez mulheres em menor número porque o "clube
do bolinha" assim o quer.
nbatista@uai.com.br
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