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Carta 001/2007
Rio de Janeiro, 02 de janeiro de 2007
Prezado Nylton,
Bom dia. Tudo bom?
Meu nome é Felipe Abreu, tenho 29 anos, sou morador da
cidade do Rio de Janeiro, economista de formação, atualmente
me preparando para a prova de auditor fiscal da Receita
Federal e fazendo free-lance na área de pesquisa e história
oral. Estava fazendo uma busca pela net e descobri o Ouro
Preto World que, por sinal, um site muito bacana e com uma
grande capacidade informativa. Interessante o fato de o site
revelar aspectos que não aparecem com freqüência sobre a
cidade. Pois bem. Neste momento, estou procurando meios de
comunicação específicos de Ouro Preto para o relato da minha
experiência durante 3 dias em que passei na cidade em
dezembro de 2006. Sempre tive muito apreço pela arte barroca
e grande curiosidade em conhecer esta cidade que se destaca
pelas marcas - muito presentes - do período colonial,
encontrado também em diversos Estados brasileiros. Resolvi
passar o fim de semana que coincidia com a data do meu
aniversário e comemorar em Ouro Preto. Realmente
impressionantes as igrejas, ruas, sobrados, que abrigam a
cidade. E o povo de lá também sempre muito delicado,
solícito e generoso para com os turistas. Fiquei esse
período hospedado em uma pousada situada no centro histórico
com a minha esposa e planejamos o nosso tempo em função da
cidade. Durante uma de nossas visitas à Igreja Matriz do
Pilar, situada à Praça Monsenhor Castilho, ocorreu o
seguinte fato: em uma tentativa de comunicação com um senhor
estrangeiro, que me insultava dentro da Igreja perante os
guias que estavam presentes, entre os "funcionários" e entre
as pessoas que se encontravam no hall de entrada, fui
agredido verbal e fisicamente por um rapaz que era conhecido
de todos os guias da Igreja – informais, por sinal - e das
pessoas que, "oficialmente" trabalhavam por ali. A razão se
encontra no simples fato de eu estar de boné dentro de uma
igreja. Minutos antes do ocorrido, procurei este senhor
estrangeiro – que parecia hispânico - para versar sobre a
minha visão em relação às diferenças ideológicas, culturais
e religiosas que caracterizam as pessoas e estabelecem a
diferença entre uns e outros e que, portanto, justificava a
minha posição de entrar em uma igreja com um boné na cabeça
pois entendia que, para alguns, ali se entrava mais pela
arte do que propriamente por um motivo religioso. Eu estava
tentando deixar claro que aquilo não era uma afronta da
minha parte. Mas não adiantou. O estrangeiro resolveu entrar
também na violência proferindo chutes e pontapés contra mim
que só não causaram estragos maiores pois minha mulher
resolveu entrar na frente para apartar, visto que todos os
funcionários, o porteiro e os guias da igreja, que estavam
por ali assistindo ao pavoroso acontecimento, nada fizeram e
pareciam até estar se entretendo com o fato. Vale lembrar
que a referida Igreja possui um anexo onde se encontra o
Museu de Arte Sacra de Ouro Preto – notadamente uma
instituição - e que há um ingresso cobrado na porta no valor
de 4 reais. Porém não há sequer um monitoramento das
atividades, uma simples supervisão ou qualquer outra espécie
de controle sobre as pessoas que tomam conta da Igreja do
Pilar. Esta se encontra entregue à ação de moradores dos
arredores que entram e impõem suas leis, inclusive,
propiciando a ação de falsos guias como este que me agrediu
e me arrastou para fora da igreja aos gritos, socos e
pontapés. Quando cheguei na porta da Igreja com a minha
esposa, minutos antes da visita, indaguei ao senhor que
“tomava conta” da porta sobre o porquê de tal ingresso e
este me falou que ali se distribuía o dinheiro arrecadado
entre outras duas Igrejas para a manutenção destas. Tal
informação se desencontrou depois quando resolvi pesquisar o
real destino do dinheiro. Pois bem. Acionei logo a Polícia
Militar de Minas Gerais que chegou rapidamente e nos atendeu
com prontidão tomando ciência do fato e nos encaminhando
para prestar depoimentos na delegacia de Polícia Civil de
Ouro Preto. O guia agressor foi autuado pela delegada
responsável pela 28ª Seccional porém o estrangeiro e sua
esposa fugiram do local segundos antes da chegada da polícia
em um carro Audi Sedan A4 2.4 cor prata placa GXK 8000 de
Belo Horizonte. Identifiquei o carro pelo Detran de Minas
Gerais – que por sinal conta com algumas multas por excesso
de velocidade – mas não pude chegar ao proprietário do
veículo por falta de informações. O fato está devidamente
registrado na 28ª Delegacia Seccional de Ouro Preto no
Boletim de Ocorrência de nº 11935 e mantenho uma
representação contra a pessoa do guia agressor que tinha
algumas passagens pela polícia por uso de drogas, falsidade
ideológica e outras coisas mais que não pude identificar.
Este rapaz era conhecido de todos por ali – inclusive pelos
policiais - que justificavam tal atitude agressiva como um
simples desvio de conduta pois, segundo os “locais”, este
rapaz tinha alguns problemas neurológicos que o faziam agir
assim quando se achava contrariado. Enfim, não consegui
entender até agora o tratamento cordial e compreensivo que
todos – inclusive os policiais! - davam a um sujeito
neurótico, agressivo e desequilibrado como este. Lembro-me
bem das palavras da delegada dizendo que, diante de um
sujeito como este, ou é hospício ou prisão. Mas parece que
nenhuma das duas opções tinha sido aplicada. Será que
esperam que este sujeito cometa algum delito mais sério,
como um assassinato, por exemplo, para mandá-lo para seu
devido lugar ? Encontro-me indignado e estarrecido com o que
aconteceu e bastante preocupado com o destino que se reserva
a Ouro Preto se medidas severas e eficazes não forem
aplicadas urgentemente. A cidade passa um ar de decadência,
voltada apenas para a exploração dos pontos turísticos,
muitas joalherias e milhares de albergues estudantis. O
nível de subempregados na cidade é chocante. Muitos
moradores de rua em estado de mendicância e pouca atenção do
poder público para com esses problemas. Pretendo encaminhar
tais informações a algumas autoridades de Ouro Preto como ao
Prefeito, ao Secretário de Cultura e Turismo e outros.
Gostaria que você me indicasse – se puder – alguns meios de
comunicação que possam ser eficazes na divulgação da minha
denúncia e, se possível, colocar uma chamada em seu site
para este fato grotesco e sem sentido que aconteceu comigo e
com minha esposa. Com certeza, Nylton, faltaram muitos
detalhes e informações a serem postas aqui mas acredito que
com isto já deu para ter uma noção de como foi este absurdo
em Ouro Preto. Nem preciso dizer que não voltarei mais lá –
pelo menos, por enquanto - e nem indicaria a cidade para
ninguém que queira fazer um passeio agradável. Apesar da
beleza explícita do lugar e de sua magia colonial, as
pessoas que administram a cidade transformaram a minha
visita em um verdadeiro inferno. Espero que esse quadro
possa se reverter em breve para que não aconteça com outros
o que aconteceu comigo! Conto com sua ajuda e compreensão e,
se precisar, estarei de prontidão para batermos um papo por
email ou por telefone. Posso te ligar se estiver disposto a
trocar informações. No mais, desejo muitas felicidades para
ti nesse novo ano e sucesso para a sua página na internet.
Espero uma resposta.
Um Abraço
Felipe S. Abreu
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