PONTO DE VISTA DO BATISTA
Mau uso do dinheiro
O uso do dinheiro insere-se
entre as questões mais sérias de que se ocupa o homem (leia-se, mulher
também), pois nele se encerra o sucesso ou o fracasso, pessoal ou
empresarial, dependendo de como, quando e onde é feito. Tudo se encerra
na eleição das necessidades e, dentre estas, as que merecem prioridade
na atenção e aplicação dos recursos disponíveis, deixando para
segundo plano necessidades menos prementes e por fim o supérfluo, ou
dispensável. A não observância desses critérios pode levar a sérias
dificuldades ou fracasso total, que muitos tentam superar com
empréstimos sem garantia de receita em tempo hábil com que
resgatá-los. O empréstimo nessas circunstâncias é a corda no
pescoço. Não importa a capacidade financeira, porque se não existe
critério nos gastos, assalariado ou milionário, o destino é o
descrédito. Comprar só porque o produto está com o preço baixo,
gastar por conta de receita eventual que ainda não se realizou, fazer
gastos supérfluos antes de atender às necessidades prioritárias,
fazem parte do comportamento de risco dos gastadores descontrolados.
Se o descontrole nos gastos
significa ruína na economia pessoal ou doméstica, na administração
pública o prejuízo se estende a centenas, milhares ou milhões de
pessoas, dependendo do nível em que ocorre. Deseducado quanto ao uso
pessoal do dinheiro, o cidadão investido da responsabilidade pública
comporta-se da mesma maneira ao aplicar recursos que lhe são confiados.
Mas ao cidadão comum parece que o dinheiro dos impostos pagos só
desaparece pelas vias da corrupção, ou do furto descarado, como é o
caso de vários parlamentares, réus em processos que correm no STF.
Peculato, apropriação indébita e desvio de verbas são alguns dos
crimes nos quais incorreram, e que agora, por força da queda da
imunidade parlamentar para os casos de crimes comuns, são cobrados pelo
Ministério Público na Justiça. O Ministério Público cobra e a
sociedade aguarda punição exemplar acompanhado do ressarcimento dos
prejuízos! Outras modalidades de crime, com destaque para os célebres
superfaturamentos, são responsáveis pelo desvio de milhões do erário
para os bolsos de cidadãos ditos respeitáveis. Mesmo que liquidadas
essas contas e contida a repetição dos crimes apontados, o dinheiro
público segue tendência de desaparecimento por vias da má
administração, que em muitos aspectos não chega a ser crime. Mas,
somadas apenas as ocorrências de desperdício, configura-se uma grande
sangria nos recursos destinados ao bem-estar coletivo.
Infelizmente, entre o combate
aos males, atrelado à cobrança efetiva dos prejuízos, e o aumento de
taxas e impostos, o governo prefere espremer o contribuinte, aumentando
impostos. O mais recente exemplo em Minas foi a popularmente chamada
"taxa de incêndio", votada às pressas no final do ano
passado e que teria por fim equipar o Corpo de Bombeiros. A cada
insuficiência de recursos provocada, no mínimo, por desperdícios,
mais taxas e mais impostos. Como se o povo já não pagasse impostos
demais! Faltam recursos para a saúde, para a manutenção de rodovias,
para a segurança pública!
Na contra-mão dessas
necessidades mal atendidas, o dinheiro se esvai em pequenos deslizes,
como a edição especial do jornal de certo estabelecimento do ensino
público. Chega a ser ridículo o formato bem superior ao padrão
estabelecido dos jornais. Seu conteúdo não perderia qualidade em papel
jornal, seria mais facilmente lido em formato menor e teria custado
menos em impostos pagos pelos contribuintes!