PONTO DE VISTA DO BATISTA

Vestindo o lobo de cordeiro

Cai a confiança nas instituições e a nação se enfraquece, quando bandidos abatidos em confronto com a polícia têm apoio de defensores dos direitos humanos, em detrimento das vítimas, das quais ninguém se lembra; caloteiros contumazes têm garantias contra cobranças, zombam da Justiça e persistem no assalto solerte ao bolso dos incautos; políticos apanhados com a mão cumbuca fazem pose de bonzinhos e tramam continuidade no poder, para não perder a facilidade de mais sugar a vaca estatal; grupos de baderneiros são classificados como movimentos sociais; crimes de invasão, roubo e destruição rotulados como vandalismo; professores derrotados na batalha contra a ignorância porque leis, ditas de proteção ao menor, facilitam a rebeldia da fralda e cueiro (ainda existe?) com apoio de pais relapsos; os mesmos "dimenor", na condição de infratores/aprendizes do crime, ficam impunes até a graduação como bandidos com direito a pós-graduação em pseudopenitenciárias. Tudo isso confirma o princípio do "errado é que está certo", adotado e consolidado em terras tupiniquins a ponto de se conceder asilo político a estrangeiro, julgado e condenado em seu país por crimes de homicídio.

Tal princípio se exporta, cai no gosto de pretendentes a vitaliciedade no poder e subverte o Direito Internacional, ao dar asas ao governante de Honduras, eventual continuísta, em detrimento do que diz a constituição hondurenha.

O bafafá, em torno do pequeno país com algo pouco menos que oito milhões de habitantes, teve início quando o então presidente de direito tentou convocar plebiscito, em tentativa de se candidatar à reeleição (eleições em 29 de novembro/2009), proibida pela constituição. A Carta Magna hondurenha diz que o presidente não pode ser reeleito, devendo ser destituído no caso de tentativa de burla desse dispositivo, sofrendo a mesma punição os que apoiarem direta ou indiretamente a iniciativa. O artigo que proíbe a reeleição é inviolável, não pode ser reformado, é cláusula pétrea.

Diz ainda a constituição: "A alternância no exercício da Presidência da República é obrigatória. A infração desta norma constitui delito de traição à Pátria". Diante disso, fica evidente que o chefe do Legislativo local cumpriu e cumpre seu dever, no momento em que o Poder Judiciário declarou que o então presidente havia se colocado à margem da Lei Maior, portanto autodestituído conforme preceitua aquele mesmo documento. O exército hondurenho foi encarregado de colocar o presidente lesa-pátria para fora do país e, daí para frente, foi uma sucessão informações distorcidas e tomadas de posição equivocadas por parte de governos, a partir do norte-americano e instituições internacionais como OEA e ONU, acostumados a ver, na América Latina, troca extemporânea de governo como golpe militar ou golpe de estado. Na esteira desses equívocos, deitaram e rolaram governos simpáticos à pretensão do quase golpista, entre os quais seu mentor venezuelano e o cacique tupiniquim que lhe deu guarida na embaixada. E a mídia de esquerda fez o resto, ao espalhar aos quatro cantos parte da verdade, mascarada a autodestituição como "golpe de estado", "golpe militar", pintado o pilantra de herói aos olhos do mundo que se diz democrático. Nem se dá conta da contradição entre golpe militar e a presidência de fato estar entregue a civil, presidente do Legislativo; fato ressaltado pelo próprio comandante do exército, ao dizer que seria ele o presidente, se a troca do titular do governo tivesse sido golpe militar. Antes da tomada de posição, ninguém se deu ao trabalho de ler a constituição do país. Por ser pequeno , talvez pensassem que não tivesse!

Na marcha dos acontecimentos, Honduras está descompassada em relação aos governos e instituições que a condenam, pois é a única que tem o pé direito sincronizado com o tempo forte na batida do tambor da democracia.

nbatista@uai.com.br

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