PONTO DE VISTA DO BATISTA

A volta do trem

Por incúria de nossos governantes o sistema viário se acha, em sua maior parte, comprometido, não se prestando ao trânsito normal, regular, dotado do mínimo de segurança aos usuários. Opção muito cara para um país recém-saído dos cueiros, em se tratando de industrialização, as rodovias foram eleitas como a cara da modernidade por uma República, que nunca aceitou, talvez, a mais importante entre contribuições da monarquia para o desenvolvimento do país: a ferrovia implantada pelo imperador Pedro II.

Pouco a pouco, sem receber investimentos para expansão e modernização, consumando-se posteriormente a mesma política com relação à manutenção, o sistema ferroviário foi sucateado até se inviabilizar, economicamente, sua recuperação para aí ter-se forte argumento favorável à venda ou transferência à iniciativa privada, também sem o mínimo cuidado de se preservar pelo menos o patrimônio. Feita a transferência de mãos, o que se viu depois foi o sepultamento de vez das ferrovias, entregues ao esbulho, depredação e furto descarado de tudo, até dos trilhos. E as rodovias, cara da modernidade, converteram-se em cara da irresponsabilidade, também abandonadas à ação do tempo e do mau uso, ausente a fiscalização pelos serviços correspondentes. Assistimos, no momento, à recuperação apressada da Rodovia dos Inconfidentes, feita em decorrência da escolha de Ouro Preto como sede da Reunião de Cúpula do Mercosul, a realizar-se no início da segunda quinzena de dezembro. Só a necessidade de seus usuários diários não basta às autoridades competentes para cumprir o sagrado dever de dar retorno aos impostos pagos pela sociedade!

Falando especificamente do trem de passageiros, ganha destaque a ação do Ministério Público contra a União, para forçar a reativação do sistema de transporte ferroviário de passageiro. Se surtirá efeito, não se sabe, mas não se discute que este país de dimensões continentais necessita da opção ferroviária como meio de transporte, incluindo-se o de passageiros.

Em outras oportunidades, foi comentada aqui a frustração que o cachoeirense tinha por não ser servida por ramal ferroviário. E uma das causas dessa frustração está no descumprimento da Lei nº 111 de 24/07/1894, sancionada por Afonso Pena, presidente do Estado (correspondente ao cargo de governador) cujo teor parcial é o seguinte (mantida a grafia original): Auctoriza o Presidente do Estado a contractar com quem mais vantagens offerecer a construcção de uma estrada de ferro de bitola de 0.m60 entre trilhos, que, partindo do ponto denominado Trino, na Estrada de Ferro Central do Brazil, ramal de Ouro Preto, vá ao arraial da Cachoeira do Campo.O povo do Estado de Minas Gerais, por seus representantes, decretou e eu , em seu nome sancciono a seguinte lei: Art. 1º Fica o Presidente do Estado auctorizado a contractar, com quem melhores vantagens offerecer, a construcção de uma Estrada de Ferro de bitola de 0.m60 entre trilhos, a qual, partindo do ponto denominado Trino, na Estrada de Ferro Central, ramal de Ouro Preto, vá ao arraial da Cachoeira do Campo, no ponto que mais convenha ao estabelecimento que alli fôr dirigido pelos salesianos. Art. 2º O contractante gosará dos eguintes favores:a) garantia de juros de 6% durante trinta annos sobre o capital de 360:000$000 de réis, correspondente a 12 kilometros, à razão de 30:000$000. b) privilegio, uso e goso durante cincoenta annos. c) privilegio de zona de 12 kilometros para cada lado do eixo da linha.

Os governantes parecem brincar com as necessidades e anseios do povo!

nbatista@uai.com.br

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