Voto zero neles!
Novo calendário se abriu
e, ao contrário da mágica preconizada por ocasião das festas
natalinas, tudo continua na mesma marcha que vinha ao longo do ano
que se foi. No final do ano de 2004, ondas gigantes levaram a
tragédia ao sudeste asiático, causando prejuízos, dores físicas e
perdas humanas. No Brasil, as ondas de escândalos vieram pouco mais
tarde, revelando prejuízos e impondo dor moral a toda a nação,
roubada e ridicularizada em grande esquema de corrupção, cujas
conseqüências danosas se estenderão ao futuro com inibição à
formação de lideranças políticas idealistas, responsáveis, e
estímulo ao surgimento do mesmo material humano que infesta a
política brasileira.
No auge das denúncias e
instalação das diversas CPIs, cria-se, entre esperançosos crônicos,
que desta vez, da corrupção não ficaria pedra sobre pedra. Tudo
estava em apuração detalhada e a impunidade não seria a resposta à
indignação da sociedade. Ledo engano, porque à semelhança do
desfecho de outros casos escabrosos da política brasileira, tudo
indica que o ardor inicial, harmonizado com manifestações da
sociedade, não passou de cortina de fumaça enquanto manobras
cuidavam de "dar tempo ao tempo", à espera do arrefecimento que vem,
tão logo assunto novo se coloca sob o foco da atenção do povo. E
tema para políticos melhor não há que eleições, especialmente quando
em disputa todos os cargos fora da esfera municipal. Muito antes do
prazo legal, conchavos tiveram início e propaganda velada se faz,
embora todos neguem os fatos, assim como suspeitos apanhados em
flagrante pela polícia raramente assumem a culpa. Ardilosamente
minimizam a gravidade dos delitos denunciados, já em preparação para
as eleições às quais concorrerão os envolvidos. E se a sociedade não
reagir, tudo se repetirá!
A autoconvocação do
Congresso Nacional durante recesso de fim de ano, considerando que
pouco ou nada resulta de benefícios ao país - ao contrário da
pecúnia equivalente a dois meses de "trabalho" proporcionada a cada
congressista - dá o tom da imoralidade que persiste, apesar de toda
a pressão da sociedade. Fictícias barreiras ideológicas se rompem
entre partidos em acordos escusos, cujo propósito é livrar a cara de
parlamentares envolvidos nos vários escândalos sob investigação nas
CPIs. São sinais claros de que a bandalheira continuará!
Passa da hora de se dar
fim neste malfadado sistema político-partidário, corporativista,
engendrador de crises e antidemocrático em sua essência, uma vez que
o cidadão vota por obrigação e, fora de partido, não pode ser votado
. Na verdade, vivemos sob uma ditadura de partidos, cujas cúpulas se
associam por conchavos e decidem o destino do país segundo seus
interesses. A verdadeira democracia só existiria em sistema político
destituído de partido, do qual todo cidadão pudesse participar por
meio da discussão e do voto, tendo como única baliza a própria
consciência. E é isso que a sociedade deve buscar. Devidamente
organizada, a sociedade tem condições de, ela própria, sem
intermediários, assumir a condução da Política, cujo único propósito
deve ser a promoção do desenvolvimento e do bem-estar de toda a
coletividade, sem corporativismos e privilégios de qualquer espécie.
Não é fácil, porque os
políticos estão aí para impedir qualquer mudança que prejudique seus
interesses. Mas, há como pressionar de forma democrática. Nas
eleições de outubro, o eleitorado terá oportunidade de apontar outro
rumo para a Política, optando pelo VOTO ZERO. Escolhendo o ZERO em
lugar do número de cada candidato, o voto será NULO, uma opção
também válida. Pode ser o primeiro passo para uma nova era, pois
partidos políticos já fizeram mal demais à humanidade! VOTO ZERO
neles!