PONTO DE VISTA DO BATISTA

VOTO ZERO neles!

"Nunca se mente tanto como antes das eleições, durante uma guerra e depois de uma caçada". Esta citação de Otto von Bismarck, ostentada como pensamento da semana na edição passada deste jornal, veio mesmo a calhar. Creio que o país nunca viveu momento tão crucial em relação a um pleito, nem quando, por algumas vezes, cambiou do autoritarismo para a chamada "democracia".

O eleitor está entre a cruz e caldeirinha, pois se obrigado está a comparecer à sessão eleitoral neste 1º de outubro, vontade não tem de votar, mas o "guarda" do sistema, sutilmente implantado em seu subconsciente ao longo das gerações de eleitores, lhe passa um sermão cheio de apelos "cívicos" e os imperativos: escolha um candidato! Não anule o voto! Entre ruins, escolha o melhor! Cumpra seu dever!

Assim tem sido desde que se votou pela primeira vez, neste país, do voto "a bico de pena" à urna eletrônica, passando pelos sistemas "marmita" e cédula única. Se o mecanismo da eleição evoluiu, embora alguns levantem controvérsias, e o voto tenha se universalizado à medida que a discussão também se ampliou com os meios de divulgação de massa, o agente político, produto de todo esse processo, perdeu qualidade. E, nos últimos anos, atingiu estágio de podridão, ajudado por um sistema político-partidário, que lhe é favorável. Infere-se daí que o erro não está na escolha feito pelo eleitor, mesmo porque há uma pré-escolha restrita aos partidos, por sua vez, não representativos de nada, a não ser das vontades de seus respectivos "donos". Ao eleitor cabe tão somente confirmar uma das escolhas feitas pelos partidos. Portanto, o eleitor é vitima e não autor da sujeira que aí está!

Depois dos sucessivos escândalos que escancararam as vísceras do sistema, mostrando então um tumor que há muito consome a vitalidade produzida por esta nação, esperava-se que procedimento cirúrgico o extirpasse, ao invés dos sedativos aplicados ao povo. De tudo que se apurou até agora, somente alguns bois de piranha foram sacrificados. O restante continuou e vai disputar as eleições como se nada tivesse acontecido. A mentira continua como mote principal de campanha eleitoral. O TSE deu outra interpretação ao artigo 224 do Código Eleitoral que põe os políticos sob risco da avalanche de votos nulos. Antes de esse risco se tornar nacional, ninguém se preocupava com o artigo 224. Tanto se preocupava que, em 2004, alguns municípios realizaram novas eleições, conforme noticiava à época o site RPC (Rede Paranaense de Comunicação): "A eleição municipal de 2004 ainda não foi concluída em pelo menos seis municípios de quatro estados brasileiros. Depois de julgados os recursos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o número de votos nulos registrados nessas cidades superou em mais de 50% o número de votos válidos. De acordo com o artigo 224 da Lei Eleitoral, essa situação obriga a realização de uma nova eleição. Os Tribunais Regionais Eleitorais já marcaram a data de novas eleições nos municípios de Divina Pastora (SE), Nossa Senhora de Lourdes (SE), Flores de Goiás (GO), Alvorada do Norte (GO), Boca do Acre (AM) e Ipubi (PE)". Note-se que a notícia diz votos nulos registrados, e não "votos anulados".

Em nível nacional, não importa, agora corruptos poderão ser eleitos ou reeleitos por minoria! Mas não o serão pelos que não mais aceitam raposas a tomar conta do galinheiro! Os que não concordam com a mixórdia em que se transformou a política neste país adotam o VOTO ZERO; enchem de zeros o espaço destinado ao número do candidato e apertam a tecla CONFIRMA.

Partidos políticos já fizeram mal demais à humanidade!

nbatista@uai.com.br

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